Encalhes - Revista Vip Garopaba

Durante os meses de inverno, é comum encontrarmos diversos animais marinhos no litoral de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Estes estados estão localizados numa região que sofre diretamente a influencia de duas correntes marinhas: a Corrente das Malvinas (fria) e a Corrente do Brasil (quente). O encontro destas correntes forma a Zona de Convergência Subtropical do Atlântico Sul Ocidental, responsável pela grandiosa riqueza biológica registrada nesta área litorânea.

Dentre os animais mais facilmente avistados nas praias estão as migrantes baleias francas, pinguins, algumas tartarugas, lobos e leões marinhos e uma vasta diversidade de aves. Infelizmente, muitos destes animais acabam aparecendo na beira da praia debilitados e necessitando de ajuda.

Com a chegada do inverno e por influência da Corrente das Malvinas, chega ao nosso litoral um grande número de pinguins de magalhães (Spheniscus magellanicus). Eles são aves marinhas de médio porte (em média 4,5 kg e 65 cm) que formam grandes colônias na Patagônia Argentina, Chile e nas Ilhas Malvinas, reunindo mais de um milhão de animais. No Brasil, os pinguins não chegam a formar colônias reprodutivas, mas percorrem longas distâncias em direção ao norte atrás de alimento.

É comum encontrarmos estes animais ainda jovens e fracos que chegam exaustos, podendo vir a óbito nas praias. Na maioria das vezes, eles apresentam sintomas de desnutrição, desidratação e hipotermia. Isso acontece porque perdem gordura corporal e suas penas são danificadas. Os pinguins precisam manter-se aquecidos a uma temperatura de cerca de 39º C e para isto utilizam um mecanismo isolante que impossibilita entrada da água gelada em contado com o corpo.

Quando um animal for encontrado na praia, é importante lembrar que trata-se de um ser selvagem e que eles não estão acostumados com a presença humana. Aproximar-se pode acarretar em acidentes tanto para as pessoas como para os animais, também cabe salientar que são transmissores de zoonoses (doenças) que podem contaminar quem se aproximar sem o uso de equipamentos de proteção.

Banhistas e curiosos costumam se aglomeram para ver os pinguins, mas geralmente não sabem como proceder para salvá-los. Muitas pessoas associam eles a um ambiente frio e gelado, e colocá-los no gelo faz com não sobrevivam.

Se você quer ajudar, a primeira coisa a fazer é entrar em contato com alguma instituição responsável (APABF, Patrulha Ambiental, R3 Animal). Eles devem ser imediatamente contatados e informados de todos os detalhes como a data da ocorrência, o local do encalhe, tamanho e peso aproximados, coloração, presença de lesões, interação com rede, presença de anilhas, entre outras. Estas informações auxiliarão no processo de avaliação de cada caso pela equipe responsável pelo atendimento.

 A partir daí, serão definidos os procedimentos específicos em cada situação.

Você pode também ajudar com simples atitudes como:

  • Não tente colocar o animal para a água;
  • Se possível, proporcione uma sombra ao animal;
  • Anote o local exato do encalhe e, se puder, identifique o animal (ave, tartaruga, golfinho ou lobo marinho);
  • Mantenha afastados cães e outros animais;
  • Não tente fazer carinho;
  • Não tente capturá-lo;
  • Não ofereça água ou qualquer alimento;
  • Não deixe crianças se aproximar;
  • Desenhe na areia uma faixa de isolamento até chegar os responsáveis pelo resgate.

Mônica Pontalti
Bióloga

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