O litoral de Santa Catarina ficou marcado fortemente pela presença de importantes Armações Baleeiras que perduraram por longos anos explorando indiscriminadamente inúmeros cetáceos. A caça no estado ocorria do sul da ilha de Florianópolis até o Cabo de Santa Marta. No total existiram cinco Armações, sendo a primeira construída em 1745, no Norte de Floripa, a chamada Armação da Piedade, a mais importante e a maior de todas.  Depois instalaram-se outras, sendo a última edificada em Imbituba em 1796, onde hoje está o Museu da Baleia Franca, que conserva alguns ossos seculares e materiais que comprovam as técnicas utilizadas naquela época para a captura dos animais.

Garopaba também teve um marco importante na história da pesca da baleia. A Armação de Garopaba foi construída entre os anos de 1793 e 1795, onde atualmente está a Praça 21 de Abril, no Centro Histórico da cidade. Ainda é possível ver as marcas da história gravadas nas paredes da Antiga Igreja Matriz, que foi construída com o óleo proveniente da gordura das baleias juntamente com uma mistura de areia e conchas trituradas que formavam a famosa “argamassa” responsável consistência nas construções.

Os inúmeros ossos de baleias que estão espalhados pelo litoral catarinense são a prova do trabalho escravo exercido na época do Brasil Colonial e da abundância destes cetáceos em nossas águas. Na Praia do Central de Garopaba, inúmeras baleias foram arpoadas e ainda hoje pode-se encontrar diversos ossos espalhados pelos ranchos de pesca e na própria enseada.

As baleias encalhavam na areia e impossibilitadas de regressar para a água, morriam sufocadas à compressão de seu próprio peso. Nas Armações, os escravos faziam o retalhamento do animal em partes. Separavam o toicinho e os ossos, que eram aproveitados para construção civil e até mesmo para fabricação de móveis. O azeite e as barbatanas figuravam no comércio ao lado do açúcar e do tabaco. A carne era distribuída e consumida fresca ou salgada, geralmente servindo de alimento para os escravos. Da baleia tudo se aproveitava. A ossada era atirada nas valas da praia, devido a este fator é que podemos facilmente encontrar tantos ossos espalhados pelo litoral. Basta dar uma ressaca forte que eles apontam como se brotassem da noite para o dia na areia.

Os resquícios de uma época de grandeza retratou Santa Catarina como um pólo de desenvolvimento, e hoje esta história está marcada nas diversas igrejas antigas e pelas ruínas das grandes construções açorianas que perduram por séculos, como a Igreja da Armação da Piedade.

Acredito que seria muito interessante se o Governo do Estado tivesse um maior reconhecimento destes materiais, tanto das edificações como dos ossos que estão espalhados por todos os cantos. Quem sabe um dia (e espero que não seja tarde demais), poderemos contar com investimentos governamentais em museus e exposições, assim como nossos vizinhos Uruguai e Argentina que possuem diversas ossadas de baleias francas montadas em museus. Enfim ter o reconhecimento deste grandioso patrimônio histórico que está se perdendo pelo desgaste do tempo.

Mônica Pontalti
Bióloga

Fotos arquivo pessoal.

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