por Mônica Pontalti

Sopram os ventos fortes de nordeste. O mar está bravo, agitado e com ondas grandes. É pequena a faixa de areia nas praias. O inverno chegou em Santa Catarina.

Primeiro são avistadas as aves marinhas migratórias que vão chegando em grandes bandos, aos poucos identificamos alguns pinguins e preguiçosos lobos marinhos que descansam sossegados na praia. Ao longe, avistamos a primeira baleia franca, trata-se de um animal gigantesco, com aproximadamente 60 toneladas e cerca de 18 metros de comprimento. É uma fêmea que chegou para parir seu pequeno filhote. Nos próximos dias, um lindo infanto será recebido pelas águas quentes do nosso litoral.

Outro animal é avistado, aparece primeiro uma grande mancha preta rompendo a superfície da água toda vez que sobe para respirar, de repente, um forte estrondo, um salto! Sinal de que um grupo de acasalamento irá se formar.  Aos poucos a água se torna repleta de baleias, todas interagindo. Mais e mais baleias começam a “florir” nossa costa. Está iniciando mais uma Temporada de Baleias Francas.

Todos os anos, de julho a meados de novembro, estes majestosos gigantes buscam águas catarinenses para acasalar e parir seus filhotes, dando assim continuidade ao seu ciclo biológico.

Os filhotes passam seu primeiro ano de vida aos cuidados da mãe, mamando e aprendendo com elas. A curiosidade e inexperiência faz com que sejam susceptíveis a diversas ameaças. Redes pesqueiras e embarcações podem ser letais para as baleias curiosas.

Todos os anos, de julho a meados de novembro, estes majestosos gigantes buscam águas catarinenses para acasalar...

As populações de baleias francas austrais (Eubalaena australis) da América do Sul representam um recurso compartilhado por diversos países. Sem dúvida apresentam realidades distintas, assim como diferentes problemas de conservação. Na Costa Atlântica (Argentina, Uruguai e Brasil), a baleia franca é o principal eixo do turismo de observação de cetáceos, enquanto que no Pacífico Sudeste (Chile e Peru), existe cerca de 50 indivíduos, o que os torna vulneráveis a impactos letais que podem ser prejudiciais à sobrevivência de toda a população.

Os países devem unir seus esforços para coordenar ações que permitam a efetiva recuperação das populações de baleias francas, tanto no Pacífico Sudeste como no Atlântico Sul. As pesquisas com baleias, utilizando técnicas benignas, como a Foto-ID - que consiste em identificar individualmente os animais a partir do padrão de calosidades de suas cabeças - são importantes avanços para o entendimento da biologia e dinâmica populacional, demonstrando que é completamente desnecessário matar baleias para investigá-las, como fazem países como Japão e Noruega.

Instituto Baleia Franca – Um Programa de Conservação

O ano de 2001 marcou o início das atividades do Instituto Baleia Franca (IBF) nos Municípios de Garopaba e Imbituba, com um minucioso estudo do dia a dia das baleias que migram para o litoral catarinense. Os monitoramentos começaram junto com a atividade turística de observar baleias no topo dos morros. A ideia inicial veio da Argentina, berço das francas no sul da América, onde se encontra a maior parte da população. A atividade de observar o comportamento das baleias na Argentina ocorre há décadas, local onde também se iniciaram as primeiras pesquisas científicas.  No Brasil, a presença das baleias francas depois da época exploratória da caça começou tímida, com poucos animais. Lentamente, as aparições foram se tornando mais frequentes, despertando a curiosidade da população.

Na Costa Atlântica (Argentina, Uruguai e Brasil), a baleia franca é o principal eixo do turismo de observação de cetáceos.

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O monitoramento de baleias foi o passo inicial para a fundação da ONG Instituto Baleia Franca, que foi criada em outubro de 2001 durante a Reunião do Conselho Nacional da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica. Este estudo é mantido de forma contínua até hoje. Além disso, a instituição desenvolve outras linhas de trabalho muito importantes, promovendo ações de educação ambiental, pesquisas com outros animais marinhos e valorização cultural da comunidade pesqueira da região. A instituição participa de redes gestoras de áreas ambientais e turísticas, e os resultados são levados em pautas para discussões a cerca de melhoramentos das questões locais.

Nos últimos anos, têm-se comemorado o grande número de baleias nas praias de Garopaba.  As campeãs são as enseadas da Gamboa, Siriú e Praia Central de Garopaba, onde frequentemente mães acompanhadas de seus pequenos filhotes nadam tranquilamente pelas águas claras e calmas, despertando o interesse e curiosidade da população que se reúne nos finais de tarde para admirá-las em suas brincadeiras, saltos e acrobacias. Um espetáculo fascinante que a natureza nos presenteia todos os anos no litoral catarinense.

Nos últimos anos, têm-se comemorado o grande número de baleias nas praias de Garopaba.

 

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