Tubarão ou Cação?

Aí está uma pergunta que todo mundo já deve ter feito:
Qual a diferença entre o tubarão e o cação?

Muita confusão é feita, mas na verdade as duas denominações podem ser utilizadas. Geralmente chamamos como tubarão um peixe de grande porte que é considerado pouco comum em nosso litoral, já o cação é apenas o nome comercial do tubarão, ou seja, são peixes de pequenos porte e encontrados com abundância na costa brasileira. Porém a forma mais correta seria dizer que o cação é o “filhote de tubarão”.

As culturas pesqueiras variam muito de região para região, mas na realidade não existe nenhuma distinção científica que diferencie o cação-anjo do tubarão-anjo ou o cação-martelo que é o mesmo que tubarão-martelo, por exemplo. Os tubarões ou cações, como preferir chamar, são peixes possuidores de esqueleto cartilaginoso, pele grossa e corpos extremamente hidrodinâmicos, tornando-os animais velozes e muito importantes para a manutenção da ecologia oceânica.

Os tubarões mantiveram-se quase inalterados durante milhões de anos e apareceram no planeta na era Paleozoica, (mais ou menos 400 milhões de anos atrás). Eles são encontrados em todo o globo, de norte a sul em todos os oceanos. Atualmente existem cerca de 375 espécies, variando em tamanho, desde o menores como o  tubarão-lanterna anão (com cerca de 21 centímetros de comprimento), e maiores como o tubarão-baleia (que atinge cerca de 12 metros), o maior de todos os tubarões, totalmente inofensivo por alimentar-se por sistema de filtragem apenas de plâncton, lulas e pequenos peixes.

Ecologicamente falando, podemos dizer que os tubarões exercem, sem dúvida, funções primordiais no ambiente marinho. Primeiramente são predadores de topo da cadeia alimentar, ou seja, é o equivalente aos leões africanos, por exemplo. Eles asseguram uma certa “ordem” nos oceano, mantendo o controle populacional de suas presas e exercem importante papel na seleção natural ao predar animais mais lentos e os mais fracos.

Em segundo, são responsáveis pela manutenção da saúde dos oceanos, pois alimentam-se também de animais e peixes doentes, feridos ou mortos. Para entender melhor o que isso significa basta compararmos com os urubus, que apesar de serem feios e carniceiros, são fundamentais na cadeia alimentar pois consomem um cadáver em questão de minutos. Sem esses guardiões dos mares, teremos um ambiente marinho doente, frágil e com desequilíbrios ambientais imprevisíveis.

Lamentavelmente os tubarões sofrem diversas formas de predação antrópica, tanto para o consumo, como por inúmeros preconceitos a cerca de ataques com humanos, que todos sabemos que são extremamente raros em nossa costa.

Em diversos países os tubarões são mortos para se fazer a sopa de barbatana. Esta atividade consiste na captura dos tubarões ainda vivos onde os pescadores cortam as barbatanas sem nenhuma piedade e despejam o animal de volta na água. É o chamado finning. O tubarão, ao ser desperdiçado ainda com vida na água, fica impossibilitado de mover-se e morre por asfixia. Um método absolutamente cruel. Infelizmente a barbatana de tubarão tornou-se uma grande especiaria no mercado negro em todo o mundo.

No Brasil não é proibido pescar tubarão e vender sua carne no mercado e, podemos até ousar em dizer que é facilmente encontrada nas peixarias como “filé de cação”. O que muitas pessoas não sabem é estão consumindo filhotes de tubarão, apoiando assim a pesca destes animais que são extremante importantes nos ecossistemas marinhos.

Em 1991 a África do Sul foi o primeiro país no mundo a declarar o tubarão-branco uma espécie legalmente protegida.

A ameaça à sobrevivência dos tubarões, representada pela pesca comercial predatória, é progressiva, constante e silenciosa. Deveríamos parar de ver os tubarões como feras assassinas e ter a consciência de que eles exercem um papel crucial na manutenção da saúde e do equilíbrio da vida nos oceanos. Este é o primeiro passo para a mudança de atitude. Também devemos evitar o consumo da carne de cação e seus derivados. Essa é uma ação imediata que depende exclusivamente do consumidor, basta parar de consumir a carne de cação e substituí-la por outros peixes marinhos.

Estima-se que 100 milhões de tubarões são mortos por pessoas a cada ano somente devido a pesca comercial e recreativa. Agora imagine a quantidade de animais caçados ilegais com a finalidade de utilização das barbatanas - finning.

Se não fizermos nada agora, dezenas de espécies estarão extintas nas próximas décadas. E com certeza será tarde demais!

Mônica Pontalti
Bióloga

Fotos: Imagens retiradas da internet, diversas fontes.

Sem comentários por enquanto.

Deixe um comentário